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4606 - Pedagogia Anarquista e a Renovação das Práticas Educativas na América Latina

Os ideais anarquistas e as práticas libertárias estão presentes nos movimentos sociais e na história latino-americana desde meados do século dezenove. Para tomar como exemplo apenas o caso do Brasil, a partir dos anos 1880 começaram a surgir os primeiros centros de estudos sociais, as primeiras bibliotecas populares, diversas escolas libertárias e algumas universidades populares, evidenciando a importância do processo educativo como parte da tática da ação direta praticada pelos anarquistas. Entre aquela década e a de 1920, contabilizam-se várias centenas de escolas anarquistas abertas em diversas cidades das mais variadas regiões brasileiras, em geral ligadas a sindicatos ou a ligas operárias. E essas são apenas as referências às quais temos acesso pelo noticiado na efervescente imprensa operária do período. O propósito desta comunicação é o de retomar essas experiências pedagógicas, expondo seus princípios filosóficos e políticos, para ao final propor caminhos de reflexão sobre como elas podem influenciar as práticas contemporâneas de educação na América Latina em nossos dias. Podemos fazer das escolas, na América Latina, heterotopias em que as relações de poder possam ser vividas de maneira distinta, menos hierárquica e mais transversal, possibilitando a criação de novos espaços de liberdade, de criação e de ação, espaços em que se produza uma democracia fundada no dissenso, no convívio das diferenças e dos diferentes e não num consenso fabricado, tornando hegemônico o pensamento único. Eis um projeto para tornar contemporânea a ação direta pedagógica libertária, ainda extemporânea, numa escola latino-americana tutelada pelo Estado.

Palavras-chaves: anarquismo, pedagogia libertária, heterotopia, América Latina

Autores: Gallo, Silvio (Universidade Estadual de Campinas, Brazil / Brasilien)

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