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3587 - Silêncios nômades

O nômade se movimenta em busca de novos ventos, de novos jogos, de novos horizontes, do novo. Perde suas referências, sua zona de conforto já não o acolhe, o lar, o endereço, o porto-seguro. Desafia as fronteiras, e as juras de amor à pátria, tão caras ao seu lugar de origem. Abdica de sua origem em certo sentido, pois ainda que volte em algum dia, sempre se sentirá desenraizado. Assim ele caminha. Thrinh T. Minh-ha lança luz sobre um provérbio africano segundo o qual “você pode arrancar o negro de seu arbusto, mas não pode arrancar o arbusto do negro”. Minh-ha entende que já que não podemos arrancar o arbusto do homem negro, é desse arbusto que ele vai tirar sua força, é desse arbusto que ele fará “seu “território exclusivo” [1] . Algo daquele ponto de origem permanece, mas em contínuo movimento, um “arbusto” onde nos sentimos em casa, como o caramujo que carrega seu abrigo nas costas. Não é um exílio: há a possibilidade de um retorno. Os critérios da exclusão são aleatórios: raça, credo, etnia, idioma, nacionalidade, orientação político-ideológica, etc. Uma linha tênue desloca o pêndulo e recoloca a questão da exclusão. A nômade olha de fora ao mesmo tempo em que olha com os olhos de quem está dentro.

Palavras-chaves: Nômade, mulher, pós-colonialismo, fronteiras móveis.

Autores: Fuser, Marina (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brazil / Brasilien)

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