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7265 - Mercado do sexo, clientes e masculinidades no Tempo Presente

Diferentes abordagens históricas têm estudado a prostituição como um fenômeno cultural com ênfase nas mulheres que vendem o trabalho sexual, excluindo ou ignorando ao aspecto relacional. Trata-se de um exercício de perceber o mercado do sexo como lugar marcador de hierarquias e jogos de poder, prescrições de gênero, e as implicações que permitem observar o sexismo e representações, configuradas como a-históricas, evidentes e inquestionáveis; são práticas discursivas que remetem a natureza masculina, fruto de uma desigualdade forjada no campo político, onde os desejos dos homens permanecem reguladores da ordem vigente. As fontes colhidas nesta pesquisa, todas de Florianópolis, Santa Catarina (Brasil) mostram imagens e representações que parte dos homens fazem das mulheres, neste caso, das profissionais do sexo, presos ainda em experiências culturais; da ótica do masculino tanto o estigma sobre elas quanto a imagem que fazem delas retém as configurações da diferença, construída na cultura, ou uma representação da genitália como definidora de hierarquias e poderes sociais. Na extensa literatura médica, científica, jurídica, religiosa que tem condenado a mulher por exercer a prostituição, o cliente, quando é citado, é mera ilustração; dele não se fala, como se fosse natural que exerça sua masculinidade e fique na zona de conforto que mantém a base econômica. O mercado do sexo precisa existir para fazer funcionarem as redes organizadas ou informais, redes estas alimentadas continuamente por clientes que raramente são vistos como consumidores, mas como portadores de virilidade correspondente ao que se espera deles: provedores das mulheres e decisórios no comércio que movimentam.

Keywords: mercado do sexo; masculinidades; clientes; Tempo Presente; relações de gênero.

Author: Fáveri, Marlene de (UDESC, Brazil / Brasilien)

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