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8143 - O Ostensor Brazileiro (1845-1846) e a primeira ¿história ilustrada¿ do Rio de Janeiro

A década de 1840 assistiu ao nascimento daquele que é considerado o primeiro jornal no Brasil, com periodicidade regular, ilustrado por litogravuras. O “jornal literário e pictorial” Ostensor Brazileiro , lançado no Rio de Janeiro, em 1845, circularia entre os leitores da capital e das províncias do Império até o ano seguinte e apresentaria em suas páginas uma série de artigos sobre a história e os monumentos notáveis da cidade. Dois objetivos haviam inspirado o “programa” do jornal: “tratar exclusivamente de objetos relativos ou pertencentes ao Brasil” e, simultaneamente, “falar aos olhos e aos ouvidos” do leitor. O título da publicação já indicava, por si só, o espírito que presidira a iniciativa de editá-la: “ostensor” (do latim tardio ostensore ) é aquele que mostra ou exibe algo com orgulho (o termo hoje está em desuso na língua portuguesa falada no Brasil). Em cada um de seus cinquenta e dois números, o jornal exibiu ilustrações saídas das principais oficinas litográficas existentes no país. Mas “falar aos olhos” por meio de estampas era ainda um empreendimento muito oneroso, na primeira metade do século XIX no Brasil para a sobrevivência financeira de um jornal. Com poucos subscritores, o periódico deixaria de circular em 1846. Antecipando-se a outras “memórias” do Rio de Janeiro que vieram a público no decorrer do século XIX, o Ostensor Brazileiro apresentou como recurso estilístico e característica inovadora um inédito apelo visual. Por sua abrangência e características intrínsecas, esse conjunto de textos e imagens pode ser considerado a primeira “história ilustrada” da cidade. Para esse novo gênero de história, as imagens da capital do Império funcionariam não somente como complemento da informação textual, mas como memória afetiva do passado da nação e representação simbólica de um tempo que se queria legar à posteridade pelo testemunho da visão.

Palabras claves: Imprensa ilustrada - Rio de Janeiro - Século XIX

Autores: Maria Inez, TURAZZI (Museu Imperial / Ibram, Brazil / Brasilien)

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