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6519 - O biodeterminismo na versão da endocrinologia criminal

A presente reflexão pretende tratar da endocrinologia criminal, disciplina surgida e desenvolvida no período de entre as guerras mundiais e destinada a buscar sofisticar os determinismos biológicos preocupados com o ato antissocial. Para isso, além de articular sua aparição com o próprio desenvolvimento histórico do biodeterminismo, e com a de outros saberes mobilizados pela criminologia da época, a abordagem proposta tratará do percurso das suas idéias centrais, desde os escritos de Nicola Pende, professor da Universidade de Roma, inaugurador e autoridade inconteste da nova especialidade, até os laudos médicos cotidianos realizados nos laboratórios médico-policiais de então. No meio do caminho, surgirá a figura inevitável de Gregório Marañón, médico espanhol de grande renome, que permitiria às idéias de Pende uma maior capilaridade social, ao traduzi-las da prática discursiva à aplicabilidade laboratorial. Marañón é autor da “teoria da intersexualidade”, na qual apareciam mobilizados os ensinamentos de Pende para a compreensão e tratamento dos desvios e perversões sexuais, consideradas assim as manifestações paradigmáticas da anormalidade endócrina. Foi a partir das teses de Marañón que a endocrinologia criminal proposta por Pende ganhou alguma imprescindibilidade científica e dessa forma maior presença cotidiana na busca da normalização social desde as instâncias médico-policiais do Estado.

Palabras claves: biodeterminismo, endocrinologia criminal, Gregorio Marañón, antropologia criminal

Autores: Ferla, Luis (Unifesp, Brazil / Brasilien)

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