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5074 - São Miguel Arcanjo e as Almas do Purgatório: a iconografia da Jerusalém padecente no território brasílico do século XVI a meados do XIX

O estudo contempla as fontes apócrifas, canônicas, visuais e devocionais a respeito da trajetória histórica da iconografia e do culto ao Arcanjo Miguel e às Almas do Purgatório. Retoma a contribuição bibliográfica de Flávio Gonçalves, Emile Mâle, Michel e Gaby Vovelle, dentre outros estudiosos que se ocuparam do inventário e da análise de obras isoladas e de altares sob tal invocação. Particular ênfase é dada ao barroco e ao rococó luso-brasileiro, especialmente ao acervo produzido sob o mecenato das irmandades. No período em foco, o Arcanjo Miguel com a balança dotada das almas, é concebido como soldado vistoso e ao mesmo tempo delicado, assumindo a forma de escultura autônoma no trono dos retábulos das igrejas paroquiais, geralmente ladeando o arco-cruzeiro, lado epístola. Boa parte dessa imaginária foi retirada de seu contexto, dificultando assim a justa apreciação de seu significado. A devoção é razoavelmente representada na forma de bem móvel e integrado: escultura, talha, pintura, alfaias etc. O culto às almas atinge o espaço público através da portada em pedra sabão na Capela de São Miguel e Almas, ouropretana, que continua a tradição ibérica de extravasar, através de oratórios ( alminhas ), agora em plena gramática Rococó. Finalmente, o estudo enfoca a racionalização em curso no oitocentos, que levaria a simplificação escatológica dessa invocação e ao desaparecimento das almas da balança do Arcanjo e até de sua retirada do trono do retábulos, em favor de novas devoções em ascensão.

Palabras claves: Arte Luso-brasileira, Escatologia cristã, Culto às almas, Juízo particular

Autores: Campos, Adalgisa (Universidade Federal de Minas Gerais, Brazil / Brasilien)

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