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6710 - Em busca da "ociosidade divertida": vilegiatura marítima e cidades balneárias como utopias no Atlântico Sul do século XX

Nas últimas décadas do século XIX, o surgimento de balneários na costa atlântica do Uruguai e do Rio Grande do Sul favoreceu a prática da vilegiatura marítima, cujas finalidades terapêuticas eram prescritas pela medicina à época. Contudo, tal prática ganhou outros significados durante as primeiras décadas do século XX, quando a industrialização e a urbanização de algumas capitais da América Latina pautaram um novo “viver nas cidades”. De modo concomitante, o planejamento de balneários marítimos significava a projeção de um espaço social livre dos problemas urbanos, representando, assim, uma utopia em pequena escala e por um curto período de veraneio.

Além dos fatores históricos, culturais e geográficos que aproximam os processos de formação e desenvolvimento dos balneários marítimos do Uruguai e do Rio Grande do Sul, é afirmação corrente de que os projetos urbanísticos da costa uruguaia serviram de modelo aos balneários projetados na costa atlântica do Brasil meridional. Por meio de histórias comparadas de algumas praias balneárias pode-se compreender o quanto essas "utopias marítimas", idealizadas em seus planos urbanísticos até a sua urbanização, guardam proximidade com o que se passava nos grandes centros urbanos de Buenos Aires, Montevidéu e Porto Alegre. Nesta palestra proponho analisar territórios às margens dos centros urbanos na primeira metade do século XX, a orla marítima como projeção de um espaço utópico em relação à metrópole, tendo como protagonistas imigrantes europeus, empresários excêntricos, intelectuais, profissionais médicos, engenheiros, urbanistas e arquitetos que se engajaram no planejamento desses balneários para o benefício da sociedade.

Palavras-chaves: Cidades balneárias, cultura balneária, vilegiatura marítima.

Autores: Schossler, Joana (UNICAMP- Universidade Estadual de Campinas, Brazil / Brasilien)

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