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3608 - Memória e Exílio: a difícil tarefa de biografar vidas dispersas

A recuperação do “indivíduo” e o crescente interesse pela “memória” como fenómeno histórico e social marcam os estudos biográficos inseridos na produção historiográfica contemporânea. Neste campo, os trabalhos recolocam os problemas do uso da memória individual, como fonte para os períodos mais recentes da História, ao mesmo tempo que revelam constantemente contradições entre o relato “oficial” de uma “memória histórica” consolidada e os testemunhos oferecidos por aqueles que foram alijados do seu contexto. Tal é o caso de períodos históricos contemporâneos de sociedades como as dos países ibéricos, onde os regimes autoritários levaram milhares ao exílio, produzindo uma espécie de “amnésia forçada” com relação à história dos oposicionistas aos regimes ditatoriais. Fruto da falta de fontes ou de uma produção historiográfica comprometida em termos políticos, como aquela veiculada no período salazarista em Portugal, os espaços não preenchidos de um discurso supostamente “concluído”, uma espécie de “branco semântico” da produção historiográfica, vão sendo decodificados à medida que são localizados arquivos e testemunhas do exílio. Esta comunicação pretende levantar algumas questões teóricas e metodológicas inerentes à difícil tarefa de reconstruir as trajectórias de vida dos exilados políticos e a possibilidade de repensar o lugar que ocupam na Memória Histórica dos seus países.

Palavras-chaves: biografia. exílio. fascismo. memória. arquivos

Autores: Heloisa, Paulo (Universidade de Coimbra/CEIS20, Portugal / Portugal)

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