Logo

11031 - Discurso médico e questão racial no Brasil (1870-1920). A política de ¿branqueamento¿ como estratégia de biopoder

A partir da década de 1860 torna-se mais evidente no ambiente intelectual brasileiro a recepção de um conjunto de teorias científicas de origem européia, tais como as diferentes interpretações do evolucionismo, do positivismo e de idéias sobre o corpo e a raça. Seus pressupostos conduziram ao estabelecimento de diferenças entre os grupos étnicos e sociais que formavam a população do país e uma interpretação sombria sobre as possibilidades de progresso e de entrada do país no “concerto das nações civilizadas”. A culpa pelo suposto atraso percebido no país recaía sobre os ombros da população, em especial em função de sua composição étnica. A partir dos princípios defendidos por essas diferentes interpretações do problema da diferença, há um duplo movimento: a medicalização do corpo social e a criminalização dos problemas sociais, que levam os representantes da elite local a desenvolverem estratégias de biopoder para intervir nesse corpo doente, que se apresentam por meio de um estímulo, no tocante è política de imigração, à entrada de “grupos étnicos eugênicos” no país, bem como de medidas de controle das “classes perigosas” que se formavam à margem da “boa sociedade”, como os processos de urbanização levados à cabo nas principais cidades brasileiras. Outra conseqüência decisiva desse conjunto de teoriais e práticas é a formação de campanhas pelo higienismo, que dariam origem às campanhas de sanitarismo e a formação das ligas de Eugenia, cuja atuação como propagandistas dos pressupostos da "sciencia de Galton" merecem destaque e serão analisados em detalhe nessa comunicação.

Keywords: Biopoder; questão racial; eugenia.

Author: Silveira, Éder (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Brazil / Brasilien)

Back

University of Vienna | Dr.-Karl-Lueger-Ring 1 | 1010 Vienna | T +43 1 4277 17575