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9290 - A princesa de Clèves, de Manoel de Oliveira a Christophe Honoré

A história da formação e consolidação do romance moderno como gênero tem em A princesa de Clèves, de Madame de La Fayette, publicado em 1678, um exemplar importante, pois, quando este aparece, o ambiente estético da França está profundamente envolvido na discussão sobre a função da literatura, discussão esta que divide os envolvidos em duas grandes facções: aqueles que defendiam a instrumentalização do discurso literário como agente de uma verdade moral, preservando-o de componentes realistas, com receio de que os “excessos” de realidade pudessem levar os leitores a desviar-se do bom caminho, e os que promoviam a necessidade de se fazer uma literatura que representasse, de modo mais reconhecível, a experiência do leitor, uma classe cujo perfil se alterava consideravelmente. No centro do embate, os conceitos de verossimilhança e imitação, cruciais quando o realismo está envolvido na discussão. Essa importância circunstancial não resume o interesse do livro de Madame de La Fayette ao quesito histórico. Provas de sua permanência são as duas adaptações cinematográficas de que foi objeto, A carta (1999), de Manoel de Oliveira e A bela Junie (2008), de Christophe Honoré. O tema de Madame de La Fayette – os dilemas de uma jovem casada que se apaixona por outro homem – é transposto por Oliveira para o cenário em que circula a alta burguesia francesa do fim do século XX, tempo em que, graças ao advento do conceito de liberdade individual, o problema moral que sustenta a obra de Mme de Lafayette parece não mais fazer sentido. Assim, a obra cinematográfica constitui-se como reflexão sobre aqueles dois tempos. Quase dez anos depois, Christophe Honoré volta ao tema original com A bela Junie, com o qual ele também presta uma homenagem ao cineasta português. Neste filme não será mais na perspectiva moral, mas na ética, que interessará tratar os dilemas da princesa. Esta comunicação acompanhará o diálogo dos dois cineastas entre si e com o texto original.

Palabras claves: Literatura e cinema, A princesa de Clèves, Manoel de Oliveira, Christophe Honoré

Autores: da Silva Cardoso, Patrícia (Universidade Federal do Paraná, Brazil / Brasilien)

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