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9087 - Sem raízes, nem abrigo: sobre Samuel Rawet e Oswaldo Goeldi

Em um pequeno livro de contos de 1956 o escritor Samuel Rawet (1929-1984) desenhava a situação de deslocamento e desencontro de um variado conjunto de personagens: imigrantes judeus e italianos (alguns recém-chegados, outros já “adaptados”), trabalhadores pobres, favelados e vagabundos – gente que não cabia no projeto de modernização vigente no país e que ia ficando pelo caminho, sem abrigo (seja na sociedade, seja nas representações literárias). Fossem imigrantes vindos de longe ou estrangeiros na própria terra, tinham no espaço de trânsito talvez seu único lugar possível. Uma perspectiva sombria – embora generosa com aqueles que eram representados – e que pode ser encontrada também, feita imagem, na obra do artista plástico Oswaldo Goeldi (1895-1961), com a qual pretendo estabelecer uma aproximação. O deslocamento constante, o silêncio e a solidão são elementos centrais na obra dos dois criadores, que buscam capturar nessa experiência de desenraizamento uma possibilidade de dizer do mundo que os cercava, entendendo o sentimento de não ter lugar como um fator constituinte da realidade social contemporânea – o que pode ser encontrado ainda hoje em autores preocupados com a temática, tal como Luiz Ruffato, Adriana Lisboa e Rubens Frigueiredo.

Keywords: espaço urbano, trânsito, narrativa

Author: Dalcastagnè, Regina (Universidade de Brasília, Brazil / Brasilien)

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