Logo

9186 - Meu Tio, O Iauaretê ¿ Relato de identidades quebradas

Este trabalho examina o texto do escritor mineiro João Guimarães Rosa intitulado Meu Tio, O Iauaretê, constante em Estas Estórias (1969). Aborda-se a construção e fragmentação do personagem enunciador do discurso, Tonho Tigreiro que, ao longo de seu relato, assume e abandona identidades, entregando-se a um devir não-humano, animalizado, marcado pela violência como forma de resistência num meio hostil. Para tanto, analisa-se o lugar social do personagem narrador, suas estratégias de convencimento do outro – na camada interna do texto, o outro seria o visitante branco, cuja presença é reportada mediante marcas linguísticas – e a linguagem em que é forjada a narrativa. Tonho Tigreiro, mestiço, apresenta uma fala atravessada pela mágoa em relação ao universo circundante, simpatizando apenas com os animais, especialmente as onças. Contratado para exterminar seus parentes pinimas – onças –, Tigreiro sente-se culpado pela morte dos felinos e decide eliminar seres humanos como forma de vingança. O resultado da investigação aponta que o saldo dessa operação de abandono da subjetividade e mergulho numa outra forma de existência pode ser lido como a impossibilidade de compreensão e ajuste entre diferenças culturais, adicionando mais violência ao processo de espoliação de identidades culturais figurado pela narrativa em questão.    

Palabras claves: João Guimarães Rosa, Identidades, Linguagem.

Autores: Forte Diogo, Sarah Maria (UFMG, Brazil / Brasilien)

atrás

University of Vienna | Dr.-Karl-Lueger-Ring 1 | 1010 Vienna | T +43 1 4277 17575