Logo

9306 - A afirmação política da escrita literária indígena no século 21

Objetivamos fazer a discussão de uma nascente literatura indígena na Amazônia brasileira. Analisaremos o caso de Jaime Llulu Manchineri. Ele nasceu no Peru, onde recebeu educação na comunidade lingüística Piro. Depois, o professor indígena atravessou a fronteira brasileira, onde passou a mora junto aos Manchineri – em razão da afinidade com os Piros. Hoje, o professor poeta já não se expressa apenas em sua língua Manchineri, pertencente à família lingüística Arawak, mas também na língua portuguesa, hegemônica. O poeta indígena é proficiente também na língua espanhola, língua oficial do lugar onde nasceu – o Peru. A trajetória do professor e poeta Jaime Llulu Manchineri é ilustrativa dos impasses e paradoxos das fronteiras pan-amazônicas, caracterizada pela flutuação e mobilidade étnica, lingüística e cultural. Nessa fronteira, os corpos estão dispostos a errâncias, entrâncias e reentrâncias, pois a fronteira é, por excelência, lugar de permanente fluxo de gente, das perdas e acomodações das línguas em contato, obrigadas ao improviso, à precariedade de seus rearranjos lexicais, sintáticos, semânticos. O elemento de destaque aqui não é a questão da pertença do professor poeta a uma minoria étnica, mas sim, o desprestígio de sua língua materna – inserida numa fronteira babélica em que se releva o multilingüismo, o afastamento sócio histórico e político das comunidades que o identificam etnicamente. O caso do escritor indígena que se vê obrigado a escrever em língua diferente da sua, guardadas as devidas proporções histórico/sociais, é semelhante ao impasse explicitado por Gilles Deleuze e Felix Guattari em Kafka – para uma literatura menor. Jaime Llulu Manchineri manifesta-se poeticamente utilizando a língua da maioria da população brasileira – o português, com a clara intenção de reterritorializar-se politicamente. O que aconteceu no percurso histórico de sua comunidade que transformou sua língua em “signos marginais”?

Palabras claves: Palavras-Chave: Literatura Indígena, Amazônia, Língua, Fronteira, Territorialidade.

Autores: Souza Lima, Simone (Universidade Federal do Acre, Brazil / Brasilien)

atrás

University of Vienna | Dr.-Karl-Lueger-Ring 1 | 1010 Vienna | T +43 1 4277 17575