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7517 - O outro lado da lua: porque o mundo do trabalho não fala? Algumas considerações no contexto da literatura brasileira

O contexto histórico em que se determinou a modernização das relações de trabalho no Brasil, depois da abolição tardia da escravidão, tornou de certo modo uma exceção a emergência de narrativas que dessem conta da vitalidade e da riqueza sociológica, politica mas também literária do mundo do trabalho. Confinado em uma espécie de limbo irrelato, o trabalho -fora de estações ideologicamente conotadas específicas (se pense por exemplo no assim chamado romance de 30)- tem ficado aquém das possibilidades de representação de um “real” que sempre de algum modo fugiu ou se perdeu. No entanto, esta dimensão subalterna e canonicamente periférica, por razões inclusive não só de ordem estética, reemerge ciclicamente a partir do potencial da figuralidade literária. Uma reemersão que sempre proporciona materiais críticos para poder pensar o sentido do reaparecimento como sinal de uma particularidade histórica. O caráter problemática do eixo trabalho e literatura, que implica sempre uma série significativa de problemas teóricos, será repensado a partir de uma narrativa como “Cidade Livre” de João Almino, a cidade dos operários que construiram Brasilia. Cidade do trabalho destinada à extinção, uma vez terminada sua obra, à margem do vazio histórico, retoricamente preenchido, de uma nova narrativa em construção para a “comunidade nacional”.

Palabras claves: Trabalho, Representação literária, Brasília.

Autores: Vecchi, Roberto (Università di Bologna, Italy / Italien)

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