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2219 - AUTORIA INDÍGENA NA PRODUÇÃO PARA JOVENS LEITORES: ENTRELUGAR DO GÊNERO NO SISTEMA LITERÁRIO BRASILEIRO

Os relatos sobre a conquista do continente americano revelam as agruras e o soterramento das identidades dos povos primitivos por todo período em que se deu a colonização, restando a essas comunidades indígenas papéis de apoio à empreitada europeia na construção de sua própria história. Nas origens e formação da literatura brasileira, exerceram a função de antagonistas, em prol da valorização do herói branco, compuseram a paisagem ou foram adjuvantes dos conquistadores de suas terras. Desempenharam papéis marcados predominantemente pelo maniqueísmo, como se fossem apenas figuras coladas no papel, com um único lado aparente: o bom ou o mau. No final do século XX e início do XXI, porém, surge produção diferenciada, voltada ao público infantojuvenil, cuja autoria pretende assumir a construção da identidade indígena. Neste texto, a partir de uma visão panorâmica sobre a situação dessa produção, refletimos sobre o estatuto de entrelugar da literatura infantojuvenil de autoria indígena , considerando a concepção do termo cunhado por Silviano Santiago, notadamente em publicações como Uma literatura nos trópicos (1978), Vale quanto pesa (1982) e Nas malhas da letra (1989), bem como os estudos de Hugo Achugar, em Planetas sem boca (2006) e de Núbia J. Hanciau (In: Figueiredo, 2005), com o intuito de apontar aspectos estéticos responsáveis pela inserção de elementos da arte de povos da floresta na literatura para crianças e jovens no quadro da cultura brasileira contemporânea, como força de mercado, inclusive.

Palavras-chaves: Entrelugar, literatura infantojuvenil, autoria indígena, sistema literário brasileiro., identidade

Autores: Penteado Martha, Alice A. (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, Brazil / Brasilien)

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