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10080 - INFÂNCIA E VIOLÊNCIA PATERNA EM CINZAS DO NORTE

No terceiro romance de Milton Hatoum, Cinzas do Norte, Lavo é o narrador principal que conta a história de duas famílias de classes diferentes que vivem um mesmo processo de decadência. Seu ponto de vista é o de um observador que ouve vários segredos que envolvem a história dessas famílias. Ele pertence à família pobre e é amigo de infância de Mundo, filho da família rica. Depois de um distanciamento temporal, ele resolve contar esta história:  

Mundo, na verdade Raimundo, é o protagonista dessa história. Ele é composto a partir de três pontos de vista, o de Lavo, o seu próprio, através de trechos do seu diário, cartões-postais e cartas enviadas a Lavo, e Ranulfo, tio do narrador principal, por meio de uma longa carta que é inserida, em fragmentos, ao longo do texto de Lavo. O romance termina com a última carta de Mundo para Lavo.  

Na carta de Ranulfo há a narração de detalhes da infância de Mundo. Por exemplo, o período em que seu pai o trancava num porão quando ele tinha cinco anos de idade, situação que resultou numa fuga, uma cicatriz e a descoberta do talento para a arte. Mundo vive, desde a infância, num constante esforço para se colocar num mundo em que ele é completamente diferente daquilo que seu pai quer e espera. Sua vida é uma luta constante para se libertar da tirania do plano paterno de torná-lo seu herdeiro e sucessor, numa vida que Mundo sempre detestou. No entanto, o pai sempre tentou enquadrá-lo.  

O objetivo desta comunicação é descrever e analisar a construção deste episódio nos manuscritos do romance. A carta de Ranulfo foi escrita separadamente e possui duas versões e algumas folhas avulsas. A partir deste corpus pretendo estabelecer relações entre infância e violência que são fundamentais para a economia do romance.

Palavras-chaves: Infância; Violência; Milton Hatoum

Autores: Cristo, Maria da Luz (ninguno, Brazil / Brasilien)

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