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5147 - Duas vertentes da iberoamericanidade: Agustina e Clarice

As obras da brasileira Clarice Lispector (1925-1977) e da portuguesa Agustina Bessa-Luís (1922) fazem finca-pé numa condição paradoxal de entremeio, num estado de periclitância, de estar à beira de – o que as leva, de um lado, a mergulhar num quente, móvel e colorido abismo e, de outro, a se manterem a salvo dele para registrar essa mesma fascinação pelo mistério que encerra. Exercendo tal escrita em regime de oximoro, em estado impossível de negação e afirmação simultâneas, ambas as obras se aplicam no desmanche que elaboram do código romanesco, na inadaptação ao mundo estabilizado, no risco que buscam correr mercê da quebra da rotina literária. Todavia, as maiores tensões entre ambas se dão graças à diversidade cultural que as anima, o que ocorre como uma espécie de desafio interno à pseudo-planura do universo literário iberoamericano e ao aparente molde histórico da condição feminina.

Tomando de ambas escritoras uma amostra romanesca expressiva e publicada contemporaneamente - no caso de Agustina, A sibila (1954) e Homens e mulheres (1967); e de Clarice, A maçã no escuro (1961) e Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres (1969) – meu trabalho tem por fito demonstrar de que maneira o feminino é engendrado pelas romancistas que se utilizam da mesma língua, todavia, de estratégias discursivas e culturais absolutamente outras.

Keywords: literatura comparada, feminino, romance contemporâneo, iberoamericanidade

Author: Dal Farra, Maria Lúcia (UFS/CNPq, Brazil / Brasilien)

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