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10432 - A apropriação nas artes visuais e a tradição antropófaga brasileira

O artigo aborda a apropriação nas artes visuais em relação à tradição antropófaga no Brasil, como forma de produzir sentidos e experiências em meio ao fluxo intenso e fragmentado de signos, produzido desde a formação de meios urbanos na modernidade. Artistas trabalham a partir de produtos culturais disponíveis: ao perceber a superprodução como um ecossistema cultural (Bourriaud), artistas inventam modos de assimilar estruturas existentes e recolocá-las em funcionamento.

A noção de identidade envolve trânsito, convívio da diferença e combinação de repertórios multiculturais. Essa interação ocorre por acréscimo e não substituição, pois há trocas nos dois sentidos (Moacir dos Anjos, Canclini, Burke). Sobre a America Latina, Silviano Santiago aponta que a noção de unidade dos códigos impostos é abalada e enriquecida pela infiltração do pensamento selvagem. Este é o caminho para a descolonização: a antropofagia como estratégia para construção de linguagem autônoma.

Enfatiza-se a contaminação mútua, mas interessa a incompletude dos cruzamentos, que mantêm contradições e a tensão resultantes da aproximação de diferentes. Há aqui uma questão: a assimilação transcende a cópia e implica na transmutação deliberada daquilo que se assimila, sendo que sempre há algo que resiste.

No âmbito das artes visuais, reforça-se que além da diversidade técnica há a apropriação de elementos da cultura, que não pode significar falta de crítica em relação à história ou à sociedade de consumo. Ao contrário, relaciona-se com processos que resgatam os signos do fluxo de consumo passivo, para uma prática produtiva. Por fim, fica latente a importância de deixar as emendas à mostra, garantindo aberturas para interpretações. Pensar o espaço entre buscando reconhecer o que acontece entre os elementos e manter a tensão entre eles como uma utopia da coexistência.

Palavras-chaves: Artes visuais, arte contemporânea, apropriação, antropofagia

Autores: Bortoluz Polidoro, Marina (UFRGS / UniRitter, Brazil / Brasilien)

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