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3327 - Elementos para discussão de uma sociedade do porvir histórico: do patriarcado ao matriarcado na obra de Oswald de Andrade

A superação da sociedade da sobrevida ampliada pressupõe amplas e profundas mudanças na sociabilidade humana, impossíveis de se realizar por reformas parciais. Tal projeto compreende: a) a superação de todas as fases da economia política acumuladas até o presente (da acumulação primitiva à financeirização econômica, passando pela sociedade industrial e pós-industrial/espetáculo), e b) o desvio do processo civilizatório em curso, apropriando-se do desenvolvimento científico, a ser direcionado a uma sociedade que exalte a vida. Trata-se do combate radical às relações de exploração e de poder existentes desde a revolução neolítica (VANEIGEM), promovendo a passagem de uma sociedade patriarcal à matriarcal. O devir de uma sociedade matriarcal em Oswald se faria pelo “bárbaro tecnificado”, sujeito capaz de apropriar-se da técnica sem se deixar iludir pelo fetiche da mercadoria. Ao ser munido com a técnica, o bárbaro - que desconhece as regras da equivalência e do contrato, fundamentos do sistema capitalista - ultrapassaria o homem civilizado por salto qualitativo. Perspectiva que dá relevo às multidões subsumidas pela economia oficial, assim como às formas infra e ultracapitalistas de atuação. A esperança emancipatória de ANDRADE era o caipira, enquanto DEBORD a depositava nos trabalhadores reunidos nos conselhos operários e a autogestão da produção. Meio século depois, a conjuntura atual obriga a atualização dos termos da proposição. A subsunção do sistema industrial pelo financeiro, bem como a urbanização total da sociedade (LEFEBVRE) conduzem a novas formas de lutas de classes e à mudança dos personagens principais da trama. O objetivo deste trabalho é, assegurada a crítica de MARX ao político e à economia política, interpretar sem ingenuidade formas como a economia solidária, o mutirão e o cooperativismo autogestionário enquanto uma guerrilha onírica realizada pelo bárbaro tecnificado, nos moldes formulados pelos surrealistas, letristas, modernistas e situacionistas.

Palabras claves: autogestão, matriarcado, crise civilizatória

Autores: Baitz, Ricardo (Fatec de São Caetano do Sul, Brazil / Brasilien)

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