Logo

3329 - AS MUDANÇAS NO MULTILATERALISMO E A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA

O objetivo do paper que apresentamos é discutir porque a participação ativa em arenas multilaterais é uma característica da política externa brasileira e se relaciona com o objetivo de parte das elites de projetar o país como um ator relevante na configuração do sistema internacional. Essa característica manifestou-se ao longo de todo o século XX. A noção forte utilizada pelo Brasil é a de multilateralismo, que expressa a preferência por um padrão de interação coletiva nas suas diversas dimensões, seja como método de negociação, de ação ou de regulação, ao invés de priorizar ações unilaterais ou bilaterais. O Brasil, assim como outros países intermediários, tem interesse no multilateralismo institucionalizado com vistas a tentar aumentar a sua capacidade de negociação e prevenir o unilateralismo das potências. Hoje, em função da natureza dos novos desafios colocados pelas transformações globais e da retomada das discussões sobre os parâmetros de legitimidade internacional, há uma tentativa do Brasil visando aumentar o seu peso nos órgãos internacionais tradicionais, como ONU, OMC e FMI, buscando modificar as estruturas que consolidaram hierarquias no sistema internacional. A questão da legitimidade é central para o Brasil, já que a influência do país no cenário externo não depende da sua capacidade coercitiva. Isto explica porque a importância atribuída aos órgãos tradicionais, que fundamentam a legitimidade, e aos órgãos informais, que consolidariam uma nova hierarquia que absorve países com crescente importância relativa.

Author: Vigevani, Tullo (UNESP, Brazil / Brasilien)
Co-Author: Ramanzini Júnior, Haroldo (Brazil / Brasilien)

Back

University of Vienna | Dr.-Karl-Lueger-Ring 1 | 1010 Vienna | T +43 1 4277 17575