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3236 - PEDAGOGIA FREIREANA E MARXISMO: A FORMAÇÃO POLÍTICA NA VIA CAMPESINA BRASIL

Nos últimos anos vários movimentos sociais rurais brasileiros e latinoamericanos passaram a desenvolver uma preocupação notável com a juventude. Podem ser citados neste processo o I e II Seminários da Juventude da Via Campesina, em 2006 e 2007. Alguns estudos a respeito passaram a ser realizados, abordando-se inclusive o tema correlato da formação política voltada para a juventude, ainda que escassamente, embora o assunto costume ser tratado como prioridade pelas organizações dos movimentos. Os movimentos sociais rurais objeto deste trabalho são dois dos mais estruturados que compõem a Via Campesina Brasil: o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). A Via Campesina Brasil faz parte da Via Campesina (fundada em 1993) em nível internacional e da CLOC (Coordinadora Latinoamericana de Organizaciones del Campo, datada de 1994) em nível continental. Para fins analíticos da presente investigação apresento dois tipos ideais de concepção de formação política. O tipo ideal pecebista (relativo ao PCB, Partido Comunista Brasileiro) remeteria a uma formação política com as seguintes propriedades: disciplinadora, centrada no professor, reprodutora, homogeneizadora, teoricista, cientificista, eurocêntrica e marxista ortodoxa. O tipo ideal “educação popular”, influenciado pela Teologia da Libertação e por setores marxistas dissidentes, implicaria numa formação política: autonomista, horizontalizante, valorizadora dos saberes e culturas populares, centrada nas capacidades de aprendizado dos educandos/formandos, menos preocupada com a transmissão de conteúdos, vinculada ao pensamento do pedagogo Paulo Freire e ao marxismo latino-americano. Concluo no sentido de uma maior conexão entre a formação política da Via Campesina Brasil – entendida enquanto experiência histórica em andamento – e o tipo ideal “educação popular”. É possível que a Via Campesina Brasil esteja empreendendo uma formação política própria, diversa tanto da pedagogia de Paulo Freire (tão determinante nas origens do MST e do MAB), quanto das influências marxistas clássicas retomadas a partir dos anos 1990. As informações aqui coligidas assinalam uma distância significativa da formação política da Via Campesina Brasil em relação ao tipo ideal pecebista.

Palabras claves: movimentos sociais rurais; formação política; pedagogia autonomista; marxismo

Autores: PERRUSO, MARCO ANTONIO (UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO, Brazil / Brasilien)

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