Logo

3684 - Nacionalismo, anti-colonialismo e anti-imperialismo na obra de Josué de Castro

A obra de Josué de Castro permanece muito atual, principalmente considerando que, conforme os recentes relatórios da FAO, tem aumentado, nos últimos anos, o número de pessoas que padecem daquilo que a ONU classifica como insegurança alimentar, ou seja, uma situação em que mais de um bilhão de indivíduos ao redor do planeta não encontram meios para garantir uma alimentação regular, qualitativa e quantitativamente. O problema se agravou sobremaneira a partir de 2007, quando a crise econômica passou a eliminar milhões de postos de trabalho no mundo todo, ao mesmo tempo em que se verifica o aumento vertiginoso dos preços dos alimentos, gerando uma situação de crescente instabilidade, de que são exemplos os conflitos no norte da África e no Oriente Médio, bem como os alertas de uma iminente grande fome na Somália. Aliás, uma demonstração da gravidade do problema é o fato de o índice de preços dos produtos alimentícios elaborado pela ONU, em fevereiro de 2011, ter aumentado pelo oitavo mês consecutivo, elevando-se ao maior nível desde 1990. Mas a denúncia da permanência do flagelo da fome não é o único tema atual na obra de Josué de Castro. Num momento em que o mundo assiste ao ataque à Líbia, promovido pela França e pela Grã-Bretanha por intermédio da OTAN, e presencia os EUA fornecerem apoio para a intervenção da Arábia Saudita no Bahrein, além de invadirem o território paquistanês para caçar Osama Bin Laden, a defesa do nacionalismo e as denúncias contra o colonialismo e o imperialismo, presentes na obra de Josué de Castro, permanecem em pauta. Para o autor, o colonialismo e o imperialismo seriam os principais respeonsáveis pela fome dos povos subdesenvolvidos, tendo em vista que as riquezas naturais dessas nações foram - e continuam a ser - sistematicamente pilhadas pelos países desenvolvidos, que nunca se preocuparam em preservá-las ou em fornecer auxílio efetivo para que as regiões pobres saíssem dessa condição. Porém, é preciso ressaltar que ele não fazia uma distinção clara entre colonialismo, imperialismo e neocolonialismo, tomando-os todos como faces do mesmo fenômeno de exploração de riquezas, que levavam ao subdesenvolvimento e, conseqüentemente, à permanência da fome.

Keywords: Nacionalismo, Imperialismo, Neocolonialismo, Fome

Author: Gusmão de Mendonça, Marina (Universidade Estadual Paulista (UNESP), Brazil / Brasilien)

Back

University of Vienna | Dr.-Karl-Lueger-Ring 1 | 1010 Vienna | T +43 1 4277 17575