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10459 - Reconhecimento, racialização e reafricanização: um debate sobre identidades, saberes e poderes.

Se durante muito tempo os governos brasileiros se orgulhavam em cenários internacionais de uma suposta ausência do racismo no país, hoje há um amplo consenso na sociedade brasileira como um todo de que o país não está livre da "pecha da discriminação racial". Já não é de bom tom falar em público que o Brasil seria uma "democracia racial" ou prezar o ideário do branqueamento. A palavra de ordem da militância e de muitos acadêmicos comprometidos com a "causa dos negros" é agora "reconhecimento da diferença". A implantação de Ações Afirmativas em universidades públicas é apenas uma das expressões deste momento, em que discursos anti-racistas promovem, implicitamente, a essencialização da diferença com o objetivo de conquistar "direitos de minorias" até então reservados a uma elite não-negra. Um pano de fundo destas mudanças é a situação debilitada do Estado frente às forças econômicas globalizantes, que mostra a cada dia mais dificuldade de agir de forma incisiva não apenas sobre o plano econômico, mas tem cada vez mais dificuldade de dar conta de suas obrigações sociais para com os seus cidadãos nos planos da saúde e da educação. Outro pano de fundo é a contínua, se não crescente, força do Atlântico Negro que, de forma extremamente dinâmica, fortalece e reconstrói canais de comunicação e tradições negras. Será que fenômenos aparentemente tão desconexos quanto a criação ou fortalecimento de uma "identidade quilombola" que possibilite pressionar o Estado a conceder títulos de terra e tendências de reafricanização e dessincretização em vários terreiros de candomblé podem ser entendidos como parte de um mesmo movimento político-cultural? Seriam manifestações de um amplo projeto multiculturalista em curso e/ou uma expressão da contínua força da "cultura negra" que se desenvolve e se reatualiza por meio das trocas contínuas com as diversas diásporas africanas? O objetivo desta comunicação é avaliar como, nestes recentes processos, se rearticula a relação entre identidades, saberes e poderes.

Palavras-chaves: diferenca e desigualdade, reconhecimento, etnicidade, diáspora

Autores: Hofbauer, Andreas (UNESP - Campus Marília, Brazil / Brasilien)

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