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3590 - Eternamente humanos? Algumas considerações sobre o impacto da noção cristã de ressurreição entre os Waiwai

A comunicação busca tecer algumas considerações sobre a transformação da noção de humanidade entre os Waiwai, ocorrida a partir da introdução de idéias escatológicas cristãs. Baseia-se em estudo histórico-bibliográfico e em pesquisa de campo em estágio inicial entre esses indígenas, habitantes do norte da Amazônia brasileira e sul da Guiana, e falantes de língua da família Karib. Antes de sua cristianização, iniciada nos anos 1950 por missionários evangélicos norte-americanos, os Waiwai consideravam a humanidade como um estado provisório, que chegava ao fim com a morte do corpo e a transformação do espírito da pessoa em um princípio não-humano essencialmente agressivo. Após a cristianização, essa diferença essencial entre vivos e mortos tem sido substituída por uma continuidade diacrônica, na qual os mortos continuam sendo vistos como parentes - que no futuro serão reencontrados no céu, para uma vida eterna e alegre. O anseio pela vida eterna tem sido descrito como um dos aspectos marcantes do cristianismo waiwai (assim como a transformação dos xamãs em pastores), mas falta reconhecer a centralidade das noções e práticas corporais nesse processo de "perpetuação". Pois é a expectativa de que os corpos dos mortos serão ressuscitados por Deus no fim dos tempos, e novamente unidos aos seus espíritos, que torna possível a continuidade de existência da pessoa, ou a projeção da condição humana num futuro infinito. Interessa ainda apontar algumas possíveis consequências mais amplas dessas transformações para o universo social dos Waiwai.

Palabras claves: Waiwai, Transformação, Cristianismo, Escatologia

Autores: Valentino de Oliveira, Leonor (ninguno, Brazil / Brasilien)

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