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9892 - Brincando de fazer renda

O trabalho pretende abordar os jogos e brincadeiras enquanto elementos constitutivos do processo de aprendizagem. A partir das narrativas e memórias de rendeiras de bilros residentes do povoado de Alto Alegre (CE), acerca das suas próprias experiências como aprendizes, busco relacionar os aspectos lúdico, social e técnico de tais práticas. Nesse sentido, enfocarei dois casos que ilustram momentos distintos do processo de aprendizagem das rendeiras: a iniciação aos instrumentos e as competições das rendeiras já moças. As crianças são introduzidas ao “mundo da renda” de maneira precoce e no ambiente familiar, já que se trata uma produção doméstica. Ao brincar com bilros, espinhos e almofadas improvisados, as crianças aprendem a manusear os instrumentos e, lentamente desenvolvem a habilidade necessária para a produção da renda de bilros. Posteriormente, quando já adquirem um domínio maior da técnica, as moças se reunem para cumprir sua tarefa diária de renda. O aspecto socializador de tais encontros é enfatizado pelas rendeiras, assim como as competições que promoviam para saber quem era a mais rápida com os bilros. A renda caracteriza-se, assim, enquanto uma brincadeira para as crianças e uma distração, uma diversão para as jovens. Não obstante seu caráter lúdico, podemos destacar que o movimento, as cores e o som produzidos pelo bater sucessivo dos bilros mobilizam os sentidos e auxiliam o processo de “educação da atenção” pelo qual o aprendiz, progressivamente, adquire sua prática e se integra à “comunidade de prática”. Além disso, as competições também promovem a aceleração da produção e o aperfeiçoamento da habilidade ( skill).

Keywords: habilidades, comunidade de prática, aprendizagem, técnica

Author: Júlia, Brussi (Universidade de Brasília, Brazil / Brasilien)

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