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5669 - Cafés e botequins: a construção da identidade carioca

Os estudos sobre a imigração estrangeira, sobretudo européia, no Rio de Janeiro, se pautaram até o momento em análises mais do que tudo quantitativas. A composição social destes imigrantes – em sua grande maioria pobre e celibatária – bem como o impacto econômico, social e cultural que eles provocaram na sociedade carioca, que foi profundamente abalada e, praticamente, recriada a partir dos novos valores aportados, não foram ainda devidamente aquilatados.

Com efeito, a base da pirâmide social, formada por escravos e libertos, foi substituída por imigrantes pobres. Por outro lado, os setores médios formados basicamente de pequenos e médios comerciantes, nacionais e estrangeiros, mas também de funcionários públicos e profissionais liberais, receberam um grande impulso com o desenvolvimento espetacular da produção cafeeira e do comércio varejista. Este comércio estava calcado no aumento inusitado do consumo de bens importados, em geral caros e que satisfaziam as classes de alta renda – negociantes exportadores e importadores, e fazendeiros – além dos próprios comerciantes varejistas que se enriqueciam.

O quotidiano do Rio de Janeiro, no século XIX, estava, pois, formado por redes de sociabilidade entre brasileiros e estrangeiros, escravos e livres, pobres e ricos. Muitas desta redes se teciam em torno de certos lócus que envolviam o consumo de alimentos sólidos e líquidos: os cafés, botequins, restaurantes e casas de pasto, vendas e quiosques. E era neste dia-a-dia das ruas – de compras e de consumo – onde se construíam, de fato, entre nacionais e estrangeiros, o quotidiano da cidade, a identidade do carioca e alguns dos seus maiores símbolos, como o “cafezinho”.

No entanto, foi graças ao esforço de uma política consciente do Estado imperial, através dos jornais de âmbito nacional, e aos relatos daqueles que visitavam, o Rio de Janeiro, capital do Império, que esta identidade adquiriu prestígio e foi imitada por todas as províncias brasileiras.

Palabras claves: imigração européia, hábitos alimentares, cafés e botequins, cafezinho, identidade carioca

Autores: EL-KAREH, ALMIR (Universidade Federal Fluminense, Brazil / Brasilien)

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