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4865 - De monumento negro a território étnico: notas sobre os usos do patrimônio na produção de espaços urbanos diferenciados.

Diversos autores têm assinalado que, nas últimas décadas, houve uma intensificação dos contatos culturais nas cidades provocada pelo aumento dos fluxos migratórios. E que esses contatos nem sempre se dão de forma harmônica, muitas vezes precipitando pleitos de reconhecimento de diferenças identitárias, sejam elas expressas em termos étnicos, religiosos, de gênero ou outras formas de pertencimento abrigadas na ampla rubrica das “minorias”. Adam Kuper (2002) é um desses autores que apontou haver uma tendência contemporânea a um “culto à diferença”, com a apropriação por lutas políticas da noção antropológica de cultura e o pressuposto de que a afirmação identitária seria, mais do que necessária, até mesmo desejável. No entanto, sendo os contextos urbanos possuidores de diversos significados e posicionamentos sociais, determinados mecanismos sociais precisam ser acionados para produzir em seus espaços a percepção sensível de tais diferenças identitárias. Nessa palestra reflito como ações de patrimonialização são passíveis de serem utilizadas atualmente não apenas como forma de reconhecimento da diversidade cultural, mas também de mediação de lutas políticas e, especificamente, de conversão simbólica de espaços urbanos polifônicos em monofônicos. Para iniciar tal reflexão, abordo como alguns intérpretes sociais da formação da nação brasileira dialogaram com as políticas patrimoniais e como, a partir da década de 1980, emergiu dentro dessas políticas o paradigma da “diversidade cultural”. Em seguida, apresento notas de um trabalho de campo realizado na Zona Portuária da cidade do Rio de Janeiro para analisar como, através de presentificações de narrativas míticas de passado e de ações públicas ritualizadas, a identificação de um “patrimônio negro” foi operada por gestores do governo e movimentos sociais na transformação de seus espaços em “território étnico”.

Palabras claves: Cidade; patrimônio cultural; território étnico; Zona Portuária do Rio de Janeiro.

Autores: Guimarães, Roberta (UFRJ, Brazil / Brasilien)

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