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6336 - AS TRANSFORMAÇÕES DO PATRIMÔNIO: DA RETÓRICA DA PERDA À RECONSTRUÇÃO PERMANENTE

A expansão do campo do patrimônio nos últimos vinte anos está articulada a uma série de transformações. No plano institucional, é possível constatar que o Estado nacional, que durante décadas operava com certa exclusividade na elaboração e implementação das políticas de patrimônio, já não detém hegemonia nessa área. Organizações não-governamentais, movimentos sociais, empresas, grupos sociais e indivíduos assumem iniciativas no sentido de reivindicar, estabelecer e mesmo contestar “patrimônios” culturais ou naturais. O chamado campo do patrimônio não só expandiu-se como se diversificou e se tornou mais complexo e heterogêneo, seja no plano institucional, seja no plano discursivo. Sem deixar de ser uma agência legitimadora e apoiadora fundamental, o Estado não mais exerce de forma exclusiva e impositiva as suas políticas de patrimônio, sendo obrigado a reconhecer e a negociar com uma série de outros atores sociais, especialmente, no Brasil, com o fim da ditadura e o período da redemocratização nos anos oitenta. Acompanhando essa mudança na configuração institucional, assiste-se a uma fragmentação dos patrimônios e que repercute no plano discursivo. Se até os anos oitenta, as narrativas do patrimônio eram voltadas firmemente para o horizonte da nação, e todo e qualquer bem tombado, o era em função de seus vínculos com a história e a identidade nacional; nas últimas décadas, patrimônios associados a grupos sociais, a grupos étnicos, a grupos profissionais, grupos religiosos, grupos locais, a movimentos sociais, vêm sendo reivindicados, estabelecidos e reconhecidos, sem que os vínculos com uma “identidade nacional” sejam necessariamente colocados em primeiro plano.

Palabras claves: patrimônios culturais, objetos materiais, memória

Autores: Gonçalves, Jose Reginaldo (UFRJ, Brazil / Brasilien)

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