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7680 - A Repatriação dos restos mortais do Botocudo Quäck, Jequitinhonha, 2011

Em maio de 2011, a cidade de Jequitinhonha, situada em Minas Gerais, tornou-se palco de uma homenagem inédita no Brasil ao receber os restos mortais do indígena Botocudo Quäck, que havia sido levado para a Alemanha em 1818 pelo viajante naturalista Príncipe Maximiliano de Wied. Em sua curta vida na Alemanha, Quäck realizou importantes trabalhos para a conclusão da obra do naturalista na descrição da natureza regional, reconhecidos pelo príncipe alemão (ROSTWOROWSKI , 2008). O evento, cuja organização foi marcada por cerimônias solenes e atividades culturais mobilizou diversos dos grupos indígenas habitantes das proximidades (Krenak, Aranã, Mucurin, Maxakali, Pataxó, Pataxó Hã-hã-hãe e Pankararu), além da populares em geral (destando-se estudantes e representantes de movimentos sociais). A contradição entre as concepções sobre a repatriação mais evidente refre-se ao fato do perigo que representa a transformação dos ossos na cosmologia indígena, cujos costumes são o de destruir todos os vestígios materiais do morto, para evitar um reencontro fatal entre um indígena vivo e o espectro do morto ( Nandyón ), fruto de sua decomposição. Algumas das repercussões do evento em relação à cosmologia e à política indígena, bem como uma atualização do debate teórico da repatriação na América Latina em torno serão apresentados nesta comunicação.

Palabras claves: repatriação, Botocudos, memória

Autores: Missagia, Izabel (UFRRJ, Brazil / Brasilien)

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