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5717 - "Formação de Identidade Racial e Étnica no Brasil e nos EUA: Três Estudos de Caso"

“Quem somos?” “A que grupo pertencemos?” As respostas a essas perguntas, negociadas e renegociadas ao longo das vidas de indivíduos e grupos, não são nada simples. A literatura sugere que os grupos étnicos persistem em parte porque estabelecem e mantêm fronteiras (Barth 1969) e que a identidade étnica é relativa, ou seja, os conceitos, atos e expectativas que dela afloram são suscetíveis a mudanças devido não só ao context social em que ocorrem, mas também ao fato de que os indivíduos e grupos na mesma categoria étnica concebem a questão da identidade étnica através de suas próprias suposições culturais e seu comportamento, os quais também podem mudar (Blu 1980; Foner 1983).

Aplico aqui essas idéias a três estudos de caso: uma etnografia daVenerável Irmandade de Santo Elesbão e Santa Efigênia, uma irmandade católica localizada no Rio de Janeiro, que estudei em 1980-81, quando a pesquisa sobre etnicidade no Brasil era incipiente; um estudo da Liga de Anti-difamação da B’nai B’rith (ADL), que conduzi em 1986-87; e um estudo de uma amostra dos primeiros alunos cotistas a se formarem na Universidade do Estado do Rio de Janeiro—Uerj, os quais entrevistei em 2006-07. Em diferentes graus, esses três casos demonstram que a identidade racial/étnica é mediada por símbolos de pertencimento racial/étnico. Assim, ela pode ser ou uma rejeição da imagem que a sociedade tem de um grupo ou um reflexo da aceitação do grupo pela sociedade, ou ainda uma aceitação externa dos rótulos utilizados pela sociedade sem contudo haver uma mudança na identidade racial/étnica interna de um grupo.

Palabras claves: identidade racial, identidade étnica, negros brasileiros, judeus americanos; alunos cotistas

Autores: Penha-Lopes, Vânia (Bloomfield College, Ud States of Am / USA)

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