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7320 - A bandeira e a máscara. Notas sobre os usos sociais e simbólicos de objetos rituais nas festas de reis

Nesta comunicação, examino o lugar que certos objetos ocupam em sistemas de trocas simbólicas de natureza ritual. Adotando os objetos materiais como ponto de vista para observar o mundo dessas trocas de dons e contra-dons, enfatizo o modo como eles estabelecem mediações entre diversos domínios sociais e cosmológicos. O foco da descrição e análise será a circulação da bandeira e da máscara no contexto das folias de reis, empreendimento festivo que ocorre em grande parte do território brasileiro, no qual homens, mulheres, crianças, jovens e idosos se envolvem intensamente em amplas teias de reciprocidades sociais. A bandeira é um suporte transportado espaço-temporalmente durante os cortejos de foliões, sobre o qual são fixadas imagens de santos católicos. Em torno dela se estabelece intenso campo de interações e agências. A máscara, por sua vez, é usada por um personagem conhecido como palhaço. Trata-se de um tipo marcadamente liminar, cômico e ambíguo, e sua máscara, de aparência grotesca, é indissociável de seu proprietário, assumindo significados moralmente negativos em contraste com a bandeira. As reflexões aqui apresentadas são o resultado de trabalho de campo e observações etnográficas realizadas no estado do Rio de Janeiro, em particular no Complexo da Mangueira.

Palabras claves: ritual, cultura popular, objetos materiais, simbolismo

Autores: Bitter, Daniel (Universidade Federal Fluminense, Brazil / Brasilien)

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