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7506 - Casario Vilaboense: a liminaridade globalizada

Neste paper, analiso a relação entre as transformações materiais e simbólicas do casario da cidade de Goiás (situado no Centro-Oeste do Brasil) e o título de patrimônio mundial (UNESCO), conquistado em 2001. Ao iniciar meu trabalho de campo, em 2000, notei um grande número de casas cujas fachadas (espaços liminares entre o público e o privado) estavam em obras, visando o retorno ao estilo colonial original da cidade (século XVIII). A casa tombada e protegida pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como patrimônio nacional, tinha sido até então motivo de muitos dissabores para grande parte dos proprietários, que ainda brigava por autonomia sobre seus próprios bens. Já no fim do século XX, com a iminente possibilidade de serem reconhecidos pela UNESCO como patrimônio mundial, os moradores inverteram as suas opiniões, bem como as suas fachadas. O status da família vilaboense não residia mais no estilo moderno dos alpendres e vitrôs, mas nas venezianas, folhas cegas, janelas de guilhotinas e portas de madeira; nas cores das portas, janelas e paredes. As esperanças depositadas em cada lata de tinta, beiral ou portal recuperados, foi interrompida pela enchente de 31 de dezembro de 2001, que atingiu o centro-histórico, apenas 18 dias após a conquista do título do patrimônio mundial, destruindo uma parte do casario. Já tendo o título de patrimônio mundial, a cidade recebeu recursos de agências nacionais e da UNESCO para a recuperação do casario, condicionado à aceitação de que todas as fachadas a serem recuperadas retornassem ao estilo colonial. Do moderno para o antigo, do local para o mundial, as fachadas de Goiás foram pouco a pouco conformadas ao padrão próprio para o consumo visual global. Pastiche? Falso histórico? O enquadramento das fachadas é revelador de que a categoria patrimônio mundial desencadeou impactos tão logo fora apropriada. Mudança e continuidade conduziram o debate cultural e as práticas vilaboenses sobre o passado.

Palavras-chaves: Patrimônio Mundial; Casario; Centro-Histórico

Autores: Izabela, Tamaso (Universidade Federal de Goiás, Brazil / Brasilien)

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