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5471 - New Age Anthropology: cientistas ou profetas?

O planalto central brasileiro é destino para muitos migrantes (nacionais e internacionais) em busca de construir uma Nova Era. A “sociedade alternativa” pretendida por estes grupos está fundada naquilo que o pensador Luis Salvi identifica como a “via antropológica ou profética”. Segundo ele, que tem mais de uma dezena de livros publicados em quatro idiomas, a mudança nos rumos da sociedade global será fruto da valorização da diversidade de manifestações criativas, da redescoberta da espiritualidade, do empoderamento político de populações locais e do ambientalismo. Eu discuto a apropriação da “antropologia” por este intelectual da Nova Era a partir da analogia que ele faz com o termo “profética”. Argumento, para debatermos, que a “outra” antropologia que ora buscamos é mais que apenas uma disciplina científica baseada em fatos etnográficos, pois é também uma disciplina profética, porque está intimamente ligada às “culturas” que ajuda a (re)inventar. A voz do “antropólogo” pode ser “uma” com a voz dos “nativos”? Uma voz “parcial” pode ser uma voz “fractal”? Entendo que este salto “quântico” da ciência social seja possível hoje em virtude da própria difusão da percepção de natureza da Nova Era após a década de 1960, que tornou “agente” o que antes era apenas “objeto”, com a ajuda dos conhecimentos chamados “orientais”. Pretendo mostrar como estes dois núcleos de produção de conhecimento se retroalimentam, ainda que mantendo uma distância formal: por um lado os “alternativos” argumentam que a Nova Era é o tempo de preservação e valorização dos saberes tradicionais, bandeiras que são defendidas por antropólogos há 150 anos; enquanto nós aqui neste simpósio tentamos aprender sobre a simetria de saberes como política de pesquisa, para fazer a Antropologia Social/Cultural entrar em uma Nova Era.      

Palavras-chaves: Nova Era, conhecimento antropológico, relação sujeito-objeto

Autores: Almeida-Santos, Sandro (Universidade de Brasília, Brazil / Brasilien)

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