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12159 - Cosmografia e ancestralidade nos corpos ameríndios: materializando territórios simbólicos da dinâmica espaço-temporal

As sociedades pré-colombianas reverenciavam a dinâmica de opostos complementaresapontando a criação espaço-temporal e a ancestralidade como elementos centrais desuas práticas rituais. Evidências arqueológicas e etnográficas demonstram que gruposameríndios de diferentes contextos materializaram o conceito de “metades” (moieties)e a espacialização de quadrantes ou “rumos” a partir do axis-mundi, como princípiosreguladores da organização dos territórios.A apreensão das manifestações do cosmo é, no pensamento ameríndio, determinantepara regular as relações grupais. A cosmografia é tema recorrente na iconografia emorfologia dos artefatos, na pintura corporal, na arquitetura dos espaços rituais e nadistribuição espacial do registro arqueológico. Expressa a materialização do “territóriosimbólico” que vincula o plano terreno às matérias intangíveis (como os corposcelestes) e aos âmbitos extraordinários ou supranaturais. A comparação de evidênciasmateriais dos ritos cosmogônicos ameríndios de diferentes contextos nos permiteidentificar um padrão de ritualização de espaços de fronteira, ou dos pontos dearticulação e “disjunção”.Nesta comunicação apresentaremos dados do sítio arqueológico Cerro Ventarrón(Lambayeque, Perú) que sintetizam a organização sociocosmológica a partir damaterialização espaço-temporal nos mais variados suportes (artefatos, arquitetura,distribuição espacial do registro), e que também sugerem o contato com gruposamazônicos desde, ao menos, o formativo inicial (cerca de 4.500 A.P.).

Autores: Arcuri, Marcia (Museu de Arqueologia e Etnologia, Brazil / Brasilien)

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