Logo

7873 - Filmar e representar: reflexoes sobre as novas formas da etnografia (auto) representativa

Se a sensibilidade moderna permitiu aos intelectuais descobrirem os nativos traduzindo suas culturas e vozes, fazendo-os, assim, participar da cultura ocidental atraves de uma representacao de sua arte, de sua cultura e de seus costumes, a sensibilidade pos-moderna induz a proliferacao das auto-representacoes em que as culturas e seus personagens se apresentam diretamente formulando seu ponto de vista e o modo que desejam ser representados e apresentados. Neste novo contexto de reconfiguracao da representacao, seja imagetica ou audiovisual, surge com especial potencia a nocao de auto-representacao como um modo legitimo de apresentar uma auto-imagem sobre si mesmo e sobre o mundo que evidencia um ponto de vista particular, aquele do objeto classico da antropologia que agora se ve na condicao de sujeito produtor de um discurso sobre si proprio. Assim, o conceito de auto-representacao se torna particularmente pertinente quando estas formas mais ou menos implicitas de se representar tornam-se, elas mesmas, alvo de encenacao, interpretacao, reinvencao. Neste caso, as imagens sobre si se produzem atraves de um processo relacional, fazendo com que as imagens de si afetem e sejam afetadas pelas imagens dos outros sobre si. Partindo destas questoes, a comunicacao focara algumas formas de producao visual classicas (como os filmes de Jean Rouch, em que a fabulacao permite aos personagens alcancar um estado auto-representacional) e contemporaneas (experiencias de video entre as populacoes indigenas brasileiras) que nos permitem elaborar de modo conceitual a problematica da representacao e da auto-representacao enquanto uma sensibilidade contemporanea da antropologia.

Palavras-chaves: imagem, representacao, etnografia

Autores: Goncalves, Marco Antonio (UFRJ, Brazil / Brasilien)

atrás

University of Vienna | Dr.-Karl-Lueger-Ring 1 | 1010 Vienna | T +43 1 4277 17575