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12111 - Práticas e imaginários sobre a contaminação hídrica no semi árido brasileiro. Tensões na comunidade de Parelhas ? RN.

O propósito da comunicação é o de discutir as práticas e as representações que envolvem o consumo da água do Açude Boqueirão, principal reservatório do município de Parelhas, no semi-arido brasileiro. Parelhas encontra-se nos domínios do Rio Piranhas ? Açu , banhada pela sub-bacia do Rio Seridó (Ministério de Minas e Energia, 2005). Dado seu baixo potencial hidrológico, as características naturais da bacia que abastece o Seridó a torna incapaz, por si só, de suprir as necessidades de toda a população. Por isso a existência de reservatórios, como o Açude Boqueirão, de extrema importância para a população de Parelhas nos períodos de estiagem. Não obstante a importância do reservatório, dados do Ministério do Meio Ambiente indicam o lançamento de esgoto não tratado no reservatório, que causa florações de cianobactérias que podem produzir toxinas não removidas por métodos convencionais de tratamento de água (Ministério do Meio Ambiente, s/d). Somados a isso, há indícios de contaminação da água por resíduos minerais como scheelita, chumbo, mercúrio, cobre, nitratos, etc., proveniente da mineração (garimpo) que ocorre na serra que contorna todo o reservatório, uma vez que as águas utilizadas no processo de mineração retornam ao açude. Estudos realizados sobre o município de Parelhas indicam alta incidência de doenças de veiculação hídrica, provenientes das atividades laborais de base mineral (Lima 2009) e as digestivas (Ministério das Minas e Energia, 2005). No imaginário da maioria dos moradores, há uma relação direta entre a alta incidência de glaucoma e câncer na população e o consumo da água do Açude Boqueirão. O imaginário social é uma força que regula a vida coletiva, uma peça eficaz do dispositivo de controle da vida coletiva e, em especial, do exercício da autoridade e do poder. (Baczko, 1984). Por isso mesmo, o imaginario é, muitas vezes, permeado pela sujeição e passividade. Tal situação parece explicar porque a água, tão necessária e rara na região, seja um fator de medo e desconfiança. Descortinar aspectos que alimentam esse imaginário é a proposta da comunicação.

Autores: Zanirato, Silvia Helena (Universidade de São Paulo, Brazil / Brasilien)

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