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10575 - Política, neurociência e governos de misérias

Hoje, crianças que ainda nem nasceram em um sertão miserável, do nordeste no Brasil, são monitoradas já como fetos e matriculadas na escola durante a gestação. Elas passam a compor o denominado “banco de cérebros”. Uma das formações iniciais deste banco faz parte do grandiloquente projeto levado a cabo pelo Instituto Internacional de Neurociências de Natal – Lilly e Edmond Safra (IINN-LS), coordenado por um neurocientista de projeção internacional, premiado, em 2010, pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos EUA e concedido pelo governo estadunidense na área de neurociências. O “banco de cérebros” é um dos produtos no interior dos experimentos do Programa Educação Toda Vida, já em fase de implantação em Macaíba (Natal), onde está sediado o IINN-LS, e no município de Serrinha (BA). Este programa é apenas um dos aportes de um projeto mais amplo que tem por objetivo “massificar” o conhecimento de ponta, ampliando o acesso à formação científica concomitante à criação de pólos de ciência nas chamadas regiões de baixo desenvolvimento humano, conectando saúde e direitos, políticas e seguranças. Problematizar este empreendimento, exige enfrentar e afrontar os atuais investimentos nos governos das misérias e seus efeitos políticos que, em nome de uma educação científica acoplada ao desenvolvimento sustentável, intensificam novos monitoramentos de controles que avançam sobre crianças e jovens.

Palavras-chaves: neurociência, direitos, governos, ecopolítica, crianças e jovens

Autores: Salete, Oliveira (PUC/SP, Brazil / Brasilien)

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