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6180 - Famílias apagadas da história: as uniões conjugais de indígenas e africanos através dos registros paroquiais (vila de Itu, capitania de São Paulo, Brasil, c.1700¿ c.1750)

O recurso à mão-de-obra indígena foi amplo desde o momento de chegada dos primeiros europeus à América portuguesa. Progressivamente, no entanto, à medida que a conjuntura atlântica se alterou, o indígena passou a ser substituído pelo escravo africano, exceto nas áreas mais periféricas da colonização portuguesa, tal como São Paulo. Se as regiões do nordeste brasileiro, por meio da pujante economia açucareira, lograram importar contingentes cada vez mais expressivos de cativos das feitorias africanas, as regiões de economia não exportadora foram constrangidas a permanecer explorando populações indígenas, capturadas nos vastos interiores do continente sul-americano.  

Para o caso de São Paulo, a transição da força de trabalho indígena para a africana viria a ocorrer somente por volta da primeira metade do século XVIII, quando uma nova conjuntura internacional possibilitou a introdução da cana-de-açúcar em territórios do sudeste brasileiro. Embora tardia, esta transição de força de trabalho restou melhor documentada do que aquela ocorrida nas capitanias do nordeste brasileiro, uma vez que são rarefeitos os registros anteriores ao século XVIII, especialmente no que diz respeito aos registros paroquiais de batismo, casamento e óbito.  

A proposta de nossa comunicação é trabalhar com os registros matrimoniais de uma vila da capitania de São Paulo, Itu, em busca de um melhor conhecimento das práticas matrimoniais formais ocorridas no seio das populações submetidas ao trabalho cativo: os indígenas, formalmente denominados “administrados” ou “servos”, e os africanos, estes sim descritos como escravos. Na primeira metade do século XVIII, uma população fortemente marcada por cativos indígenas passaria a acolher, de maneira crescente, populações africanas. Nossa intenção, assim, consiste em analisar algumas centenas de registros matrimoniais ocorridos entre indivíduos não livres, de maneira a verificar (a) as mudanças na qualificação desses personagens, (b) a ocorrência de uniões entre indivíduos de “naturalidade” distintas, incluídos os africanos, em busca de identificação de estratégias de integração e socialização, (c) a ocorrência de uniões entre indivíduos pertencentes ou sob controle de senhores distintos, melhor caracterizando, assim, o processo de integração de africanos e indígenas.

Keywords: matrimônio; indígenas; africanos; socialização

Author: Bacellar, Carlos (Universidade de São Paulo, Brazil / Brasilien)

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