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7932 - ¿Não se preocupe, nada vai dar certo¿, diz Carvana, o bruxo de Copacabana (título provisório).

O mais recente filme de Hugo Carvana, Não se preocupe, nada vai dar certo, ilustra sua trajetória artística desde sua fonte mais primária na chanchada, passando pelo cinema novo e se firmando em torno de sua apreciada improvisação, quase circense. Parte de um grupo de intelectuais-atores públicos brasileiros – uma mistura de tipos tão aparentemente díspares como Glauber Rocha, Chico Buarque e Paulo César Peréio, que o que têm em comum em suas respectivas carreiras é um reafirmador engajamento diante da realidade brasileira – a persona de Carvana se distingue pela escolha com tenácia da improvisação alegre na terra onde tudo muito amiúde dava errado - pessimismo que duvidava do país do futuro.

Sua galeria de tipos fundiu vagabundos, malandros e poetas sugerindo a auto-ironia que se reconhece pertencente ao humor carioca como disposição muito brasileira. O presente trabalho trata o último filme de Carvana, acima citado, como sintoma de sua pouco estudada carreira, lendo-a à rebours, ou seja, no sentido de um “desaperfeiçoamento” narrativo, temático ou estético muito revelador que aparece no filme. Se como as músicas de protesto de Chico Buarque, o cinema desafiador de Glauber Rocha e os agitadores blasés encarnados em Paulo César Peréio o cinema de Carvana critica a ditadura e escarnece a desordem através de sua estética da desordem, em Não se preocupe, nada vai dar certo, virando a câmera para o showbiz, Carvana aparentemente ignora o otimismo da era Lula.

Hoje, em vista da sua produção fílmica que manteve um diálogo firme com as diversas conjunturas políticas pelas quais passou, como cidadão atento; focalizando atores cujo expediente é lograr ao próximo, de seu modo manifestamente mambembe, pode Carvana estar sugerindo uma subreptícia crítica à celebrização do Brazil no mundo? Pois em sua última produção, o “mauzinho, sacana” insiste numa profunda descrença em dar certo. Esta é a análise que este artigo sugere desenvolver.

Keywords: CHANCHADA E CINEMA NOVO, MALANDRAGEM, HUGO CARVANA, ESTETICA DA DESORDEM

Author: FELIX, REGINA (UNIVERSITY OF NORTH CAROLINA, Ud States of Am / USA)

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